Comerciários denunciam descaso do setor patronal nas negociações da convenção coletiva

O presidente do Sindicato dos Empregados no  Comércio de Aracaju e suas Abrangências Intermunicipais em Sergipe, Luan Almeida, repudia o descaso e o desrespeito do setor patronal com a categoria durante as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026.

A data-base da maioria dos trabalhadores dos setores de comércio e serviços é em janeiro e, apesar de a pauta de reivindicações ter sido encaminhada ao patronato ainda no final do ano passado, as negociações seguem sem avanços, explica o dirigente.

Para ele, a postura do empresariado demonstra falta de reconhecimento da importância dos trabalhadores e desrespeito pela classe trabalhadora.

"É uma vergonha o tratamento dado à categoria, que, com sua força de trabalho, garante o funcionamento de atividades essenciais, gera riqueza e movimenta a economia", ressalta.

Luan Almeida também denuncia a realidade enfrentada pelos comerciários, marcada por baixos salários e precarização das condições de trabalho. "Faz-se urgente zerar as dívidas que o patronato tem com a categoria, garantindo os direitos sociais e econômicos construídos ao longo de anos de luta."

O presidente da Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Sergipe (Fecomse), Ronildo Almeida, também classifica a situação como inadmissível e critica a forma como o setor patronal está se comportando no processo de negociação salarial neste ano.

"É vergonhoso e revoltante o tratamento dado pelo patronato em pleno século XXI. É um descaso total, como se os trabalhadores não tivessem importância. O setor empresarial gosta de dizer que possui o capital, mas esquece que, para fazer a empresa funcionar e gerar riqueza, depende da força de trabalho dos seus funcionários. Não se justifica esse oceano de desigualdade entre patrões e empregados: de um lado, tem-se tudo; do outro, nada", pondera Ronildo Almeida.

A categoria permanece mobilizada e espera que o processo de negociação seja concluído ainda neste mês de julho, com a assinatura da convenção coletiva e o cumprimento das reivindicações dos trabalhadores, que incluem pautas econômicas e sociais.

O dirigente da Fecomse lembra que, até o momento, o segmento de supermercados foi o único a concluir a negociação coletiva.

"É um processo que podemos ter como parâmetro. A convenção coletiva garante segurança não só  aos trabalhadores, mas aos empresários e à sociedade. Além de assegurar direitos, ela possibilita negociações pontuais,  como a abertura do comércio em determinados feriados, garantindo remuneração diferenciada e outros benefícios aos trabalhadores que atuam nessas datas. O fechamento das convenções coletivas só traz avanços para o  setor", atesta Ronildo Almeida.

Texto e foto Tereza Andrade